Resumo do Encontro dos Indignados de Lisboa, 25/01/2012

Foram dadas informações sobre os dias 12 e 15 de Maio e debatidas formas de acção possíveis para essas datas. Discutiu-se a proposta de continuidade apresentada pelo 15.O na assembleia popular da manifestação de dia 21/01, nomeadamente a proposta da realização de um encontro de activistas no dia 25/02.

Foram apresentadas várias propostas: foi expressa a vontade por parte de alguns dos presentes em mudar a designação de “acampada” para “ágora” ou “acampamento”; um dos presentes defendeu a ideia de fundamentar o movimento dos Indignados numa corrente filosófica que, pela sua natureza, apresentaria pontos comuns com o Transcendentalismo americano, iniciada no século XIX. Esta teoria encontra-se em estudo.

Outro elemento presente defendeu que a proliferação de manifestações, de grupo e de formas de protesto poderiam eventualmente suscitar confusão e ser nefastas para o movimento. Aconselhou a formação de uma comissão que dialogasse com outros grupos. Em relação a uma possível acampada, esta deveria ser declaradamente uma ocupação de espaço público, ter um início e um fim anunciado e que se lançasse uma “campanha da tenda”, de forma a ter locais de debate e de discussão. O 12 de Maio não se deve limitar a ser uma manifestação.

Gerou-se uma discussão em que foram apresentadas várias ideias:

. do 12 de Março em diante houve uma evolução: antes os grupos eram fechados e não existia praticamente movimento social; a esquerda está a deslocar-se fora da esquerda institucional; já é possível ser activista em nome pessoal, isto é, fora dos partidos; a centralização é de evitar por gerar burocratização; as assembleias de bairro são o local por excelência favorável à mudança (estão em criação duas novas assembleias locais: Almada e Alvalade).

. o pensamento deve conduzir a uma acção; o objectivo destes grupos deve ser derrubar um governo e não fazer meros espaços de tertúlia; se o objectivo é chegar à população, vai ter que se encontrar novas formas de organização; é preciso estar em todo o lado, inclusive nos plenários do 15.O; os objectivos deverão ser fundamentados e deve construir-se um corpus teórico pois será este que fará a distinção; as assembleias deverão ter um poder total sobre qualquer outro poder de decisão.

. a fase de indignação ainda não evoluiu; continuamos reféns da apatia da generalidade das pessoas; a esquerda institucional serve de boqueio; necessidade constante de trabalho e de estudo a par com a acção; seria salutar uma diversidade de movimentos sem cúpulas; a confusão resulta da tradição hierárquica; é importante levar as pessoas a interessarem-se pelo conhecimento, trazê-las para o movimento será um processo gradual, bem como a aprendizagem de todos nas assembleias populares e nas acampadas; a construção de alternativas não deve tornar-se numa obsessão; a acção directa é aconselhável, bem como a criação de estruturas e de espaços de debate; demarcação de tudo o que seja institucional.

. é importante a existência de debates temáticos (dívida, água, transportes, saúde, …) e em todos eles dar espaço a que amadureça o conceito de democracia.

. caso se pense a sério numa nova ocupação do espaço público, desta vez terá que haver um debate de fundo e de raiz, organização prévia, formação de equipas de ocupação para não se voltar a cair na desorganização que ocorreu no Ocupar Lisboa. Tem que se começar a organizar já e com a ideia de que se voltar a haver ocupação vai haver resistência por parte do sistema. O Ocupar Lisboa ainda existe enquanto grupo activo e está disposto a fazer parte da organização. Internacionalmente existe uma força conjunta dos Indignados, Occupy e Anonymous. Uma advogada da Organização dos Direitos Humanos que esteve com o Ocupar Lisboa pode vir a ser um ponto de apoio.

. deve existir uma coordenação de acções entre os grupos para evitar a dispersão de energias e de forças; no Seminário dos Manifestos e Manifestações foi defendida a proliferação de manifestos; os Indignados não deveriam estar centralizados numa teoria; é aconselhável não haver uma narrativa fechada; a identidade do grupo parece estar mais focada em explicar o objectivo dos Indignados; ideia de que São Bento foi um erro assim como o Rossio, no sentido em que não é bom ver um acampamento deteriorar-se; os media são uma estratégia que os Indignados têm que agarrar, de forma a usar esse canal a seu favor; ou então criar alternativas aos media; proteger a democracia pode conduzir a métodos que combatemos (em relação à presença dos nacionais-fascistas na manifestação de 21/01).

. foi lançada a proposta de se fazer um texto de cara demarcação do grupo nacionalista que pretendeu se juntar à manifestação de 21/01; este grupo foi caracterizado como tendo inimigos comuns aos Indignados mas ser totalmente oposto ao nível dos métodos, da postura e dos objectivos. Os nacionalistas são declaradamente violentos enquanto os movimentos dos Indignados são pacifistas. O ideal poderia ter sido a indiferença total, mas se os manifestantes não tivessem confrontado os nacionalistas e se demarcado deles, os media e os analistas ao serviço do sistema teriam tido a oportunidade de afirmar que tinham estado juntos.  Ficou de ser redigido um texto neste sentido.

. ideia de que quer os grupos de extrema direita quer os de extrema esquerda são instrumentalizados; actualmente o M12M comporta-se de forma semelhante à “democracia” instituída.

. várias tentativas de abordagem ao desenvolvimento sustentável foram no passado branqueadas; o Ocupar Lisboa falou por não ter objectivos concretos e quem pudesse veicular uma resposta consistente.

. a democracia (representativa) do pós-25 de Abril foi muito boa para quem antes não tinha democracia nenhuma, mas actualmente, com a abertura de horizontes que o acesso aos meios de comunicação facultaram, nomeadamente a net, procuram-se outras formas de democracia; é preciso saber o que as pessoas querem e não o que nós queremos; não há organização popular para ocupar o espaço do poder; o consenso funciona melhor do que a votação, na medida em que implica todos na decisão final em vez de deixar uma parte descontente e sem se rever na decisão.

. a limitação das pessoas em participarem na construção da democracia parte da sua diminuta literacia; espontânea e exemplarmente os fascistas foram afastados de se manifestarem com os grupos; é preciso construir um corpus teórico que inclua as ideias-chave que nos distinguem dos outros grupos; tem que haver uma orientação; segundo Negri (programa/manifesto das Brigadas Rossas) seríamos hoje “índios urbanos”.

. temos que ter por ideia-base a procura de uma nova forma de democracia.

. em sintonia com o Futuro Agora e com o Movimento Zeitgeist, temos que aprofundar conhecimentos sobre uma economia baseada nos recursos, permacultura, hortas comunitárias, com o objectivo de gradualmente acabar com o sistema monetário.

. apresentar soluções fora do sistema em unanimidade é suspeito; neste sistema financeiro somos mercadoria, as pessoas não existem, o sistema declarou abertamente que as pessoas estão a mais.

. Ocupar Lisboa foi muito espontâneo e uniu-nos; continua a ser nosso objectivo desmanchar o poder podre e construir alternativas; a necessidade une todos num mesmo objectivo; a iliteracia não é obstáculo à participação.

Ficaram de participar no plenário do 15.O de Domingo 29/01 três pessoas a título individual.

Foi lançada a proposta de se fazer um Encontro só para debater questões de auto-organização, com vistas a incentivar a criação de assembleias de bairro.

Existe uma proposta dos Indignados de Benfica de um debate sobre Democracia a realizar dia 18/02.

Foi marcada uma reunião do grupo Comunicação para 2ª feira, dia 30/01, às 18h, em frente à Brasileira (Chiado).

O próximo encontro dos Indignados de Lisboa está agendado para terça-feira, dia 31/01, pelas 18h neste mesmo local (Bica). O evento no FaceBook já se encontra criado e está também anunciado no blogue.

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