Manifesto

Manifesto Aberto dos Indignados Lisboa

Somos pessoas comuns. Pessoas com deveres , direitos e responsabilidades. Pessoas que se levantam todas as manhãs para estudar, trabalhar ou procurar emprego. Pessoas que têm família e contas para pagar. Pessoas que trabalham arduamente para proporcionar um futuro melhor àqueles que os rodeiam.

Este é um movimento aberto, apartidário e não-violento , com uma estrutura horizontal sem líderes. Condenamos de forma clara o sistema político, económico e social. Recusamo-nos a ser escravos e reféns de uma classe política privilegiada e corrupta, de um sistema eleitoral fechado às pessoas, e de uma economia de mercado sem regras nem ética, que a todos nos deixa indefesos e sem voz.

Defendemos uma democracia verdadeira assente nos seguintes princípios e normas de funcionamento:

1. Estabelecimento gradual de uma democracia participativa em quesejam as pessoas a tomar as decisões relevantes para si próprias.

2. Reforma da lei eleitoral de modo a que:

  • O voto de todos os portugueses tenha o mesmo valor e representatividade.
  • As eleições não sejam um exclusivo de partidos mas permitam candidaturas de cidadãos e colectivos.
  • Os mandatos sejam revogáveis, o programa eleitoral seja vinculativo e a sua alteração só possa ocorrer mediante referendo.

3. Fim dos privilégios da classe política (reformas, imunidades, etc). Rigor nas incompatibilidades no exercício de cargos públicos e moldura penal agravada para os crimes cometidos no desempenho destas funções.

4. Transparência em todos os actos do Estado e acesso dos cidadãos a toda a documentação sobre contratos, receitas e despesas públicas.

5. Acabar com as práticas públicas de favorecimento dos interesses privados que atravessam o Estado. Regulação efectiva das entidades financeiras (banca, seguradoras, etc), de forma a evitar a especulação dos mercados.

A responsabilidade de refundar a democracia, de construir um mundo diferente, mais justo, mais solidário, recai sobre todos nós. Juntos em Portugal, unidos a todos os que no mundo resistem e se revoltam, devemos lutar por resgatar aquilo que quase já se perdeu – a dignidade humana.

O futuro é de todos nós: dos nossos avós, dos nossos pais, e sobretudo dos nossos filhos.

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21 respostas a Manifesto

  1. Ricardo Cardoso diz:

    Todo a vida ouvi dizer que temos a obrigação de votar. Durante muitos anos votei. Ao longo dos anos fui vendo que os erros cometidos eram muitos; se uns cometiam outros diziam disparates. Tentei perceber o que afinal estava mal e concluí que o problema não estava nos partidos nem nos seus politicos; o problema estava no regime. Daí para a frente até à data não voto e digo a quem me tenta “dissuadir”, do acto de não votar, que num regime democrático antes de ter a obrigação tenho o direito de não votar naquilo que não quero.
    Não existindo regime perfeitos, quero que pelo menos tenhamos um regime democrático mais perfeito. Depois de algumas consultas verifiquei que esse regime existe e está na europa: na suiça! Este país é exemplo. na Suiça existe uma democracia, chamada directa, em que as pessoas quando não estão satisfeitas com o rumo das politicas participam directamente nas decisões através de referendos. A divisão do país em cantões permite uma competição interna saudável. Foi num referendo que a Suiça não entrou na união europeia( sorte a deles!) contrariando a vontade do conselho federal.
    Neste momento, compreendo que as pessoas estão muito insatisfeitas, contudo, não nos pudemos esquecer que todos nós fomos responsáveis pelas decisões tomadas no passado e temos que pagar por isso. Eu penso que este governo está a tomar medidas muito impopulares, mas necessárias. Deveriamos ter um pouco de mais calma; dar tempo para que este grupo de pessoas tentem fazer alguma coisa. Se o governo cair agora não temos ninguém, nem tempo para criar alternativas. COMO VOCÊS, EU QUERO UM REGIME MAIS JUSTO E TENHO ESPERADO POR ISTO, contudo receio que este não seja o momento certo, no entanto, desejo boa sorte.

  2. António Santos diz:

    Refleti sobre o que Ricardo Cardoso, escreveu e quero lembrá-lo que desde 25-4-1974 todos os governos que entraram depois do sufrágio eleitoral feito supostamente em liberdade pelos Portugueses, todos os governos sem excesão, pediram sacrifícios aos Portugueses, com mais impostos ou impostos mais elevados ou ainda impostos camuflados. Todos aqueles que pensem ser governantes e que sigam esta linha de retirar o que foi ganho pelo povo, deviam logo ser corridos do governo deste País. Mas onde está o Presidente da República de Portugal???
    Digo e afirmo de outra maneira, até parece que acreditam no Pai Natal que vem de trenó…
    Isto dificilmente vai a direito sem a força de quem tem as armas. E como tal, apenas quando “chatiarem” ou retirarem as regalias e murdumias que as forças militares deteem é que estes mais uma vez podem libertar Portugal, das garras do poder económico.

  3. António Santos diz:

    Exigir JÁ de imediato, a incriminação dos que assinaram as PARCERIAS PÚBLICAS ou PRIVADAS
    porque foi a partir das “PPP” que se agravou o déficite e a economia, bem como a despesa do Estado. Saberem quem são os responsáveis é muito fácil, eles assinaram todos esses acordos.

  4. FODASSE diz:

    EU DEFENDO A QUEDA DO ACTUAL SISTEMA ECONOMICO-SOCIAL. COM TUDO O QUE ISSO IMPLICA. DEFENDO A EXPROPRIAÇAO DE TODA A BURGUESIA. DEFENDO A NACIONALIZAÇAO DE TODAS AS EMPRESAS PRIVADAS. DEFENDO AS EMPRESAS COMUNITARIAS. EU DEFENDO A MUDANÇA COM OU SEM LENÇO BRANCO.

  5. Alex Peste diz:

    isto é um manifesto utópico, ou diria mesmo distópico.

    antes de mais a democracia participativa não é isto. O que referem é um suposto direito mas que tem sido algo atacado e que é o direito à autodeterminação individual, a pessoa poder tomar decisões referentes à sua vida pessoal. Democracia participativa é outra coisa, algo como a democracia directa da Suíça, demonstrou sempre funcionar mal e apenas em sociedades muito mais evoluídas que a nossa.
    Seriam impossível incluir cidadãos e colectivos na assembleia da república, um elenco demasiado disperso tornaria o pais ingovernável e a cacofonia tornaria a AR num caos.
    O contrário seria então melhor, dissolver o parlamento e nomear um directório.
    É utópico pensar que todos os cidadãos sequer compreendem os actos do estado e as suas consequências, há necessidade de secretismo em muitas questões da governação e a fiscalização só pode ser interna. No final os cidadãos só podem avaliar os resultados e tem-no feito manifestamente mal.
    A regulação das instituições financeiras é uma história mal contada. Todas são e sempre foram fortemente reguladas, foi precisamente a regulação que falhou, e por vícios diversos dos estados e das autoridades reguladoras.
    Os bancos foram praticamente forçados pelos estados a conceder créditos bonificados e a baixar os critérios de risco na concessão de créditos. Os juros bonificados pelo estado, os fundos de apoio à habitação, etc. Tudo muito bonito até ao momento em que as pessoas deixaram de pagar, os fundos mostraram-se demasiado exíguos e os bancos começaram a ter dificuldades de tesouraria.
    Isto é história antiga, os bancos sobreviviam com a dívida pública, até também isso ter secado.
    A culpa não é só dos bancos, é mais de quem os levou a conceder créditos em condições de alto risco.

  6. Rachel Gutiérrez diz:

    Precisamos divulgar o pensamento de humanistas como o italiano Riccardo Patrelli e o uruguaio Eduardo Galeano para que nossa crítica e nossa indignação se enriqueçam de argumentos da sociologia mas também da filosofia e da poesia. O mundo está muito árido e ameaçador e o sistema que só privilegia o dinheiro a tudo emporcalha, além de ameaçar a sobrevivência da humanidade e do planeta.
    Rachel Gutiérrez
    brasileira,
    mestre em filosofia
    tradutora/escritora

  7. alex peste diz:

    Talvez a vossa declaração de intenções seja um pouco feita-em-cima-do-joelho demais para ter alguma credibilidade.

    1. Estabelecimento gradual de uma democracia participativa em que sejam as pessoas a tomar as decisões relevantes para si próprias.
    -As pessoas já tomam decisões relevantes para sí próprias, com sucesso muito variável de pessoa para pessoa. Sem o conhecimento adequado as pessoas apenas arriscariam decisões erradas, com consequencias para elas e para os outros.

    2. Reforma da lei eleitoral de modo a que:

    O voto de todos os portugueses tenha o mesmo valor e representatividade.
    -já tem, não sei muito bem o que querem dizer com isto. Acabar com o metodo de Hondt? Isso já existiu e revelou ser um problema ao tornar o país ingovernável. Circulos uninominais só são possíveis se as pessoas tiverem maior participação política o que não aconteçe no nosso país.

    As eleições não sejam um exclusivo de partidos mas permitam candidaturas de cidadãos e colectivos.
    – Não sei se estão familiarizados com o conceito de Ingovernabilidade? O parlamento já foi uma cacofonia como a que defendem o que levou a instabilidade, conflicto soical e mesmo violência civil. Nada de bom nasce deste tipo de torres de babel onde ninguém se entende. As pessoas tendem a focar apenas os seus problemas pessoais, bem como os colectivos. Nada garante, portanto, que tenham um verdadeiro programa político, completo e prático.
    Os cidadãos e colectivos já tem voz no parlamento, ainda que não a usem muito.

    Os mandatos sejam revogáveis, o programa eleitoral seja vinculativo e a sua alteração só possa ocorrer mediante referendo.
    -Utopias! A revogabilidade levanta o problema da legitimidade e da governabilidade, quem teria legitimidade para revogar o mandato de um orgão de suberania democraticamente eleito? O povo que o elegeu? Bastava uma medida impopular mesmo que necessaria para revogação o que configura uma total ingovernabilidade. O programa vinculativo presupõe um orgão de fiscalização e os programas não são manuais de governação, ninguém prevê o futuro e há situações em que pura e simplesmente é impossível cumprir os programas. Espera-se que um governo se possa adaptar ao evoluir da realidade, obrigar o governo a manter-se rigidamente preso a um programa é absurdo. Os referendos pressupõem que o povo compreende bem os assuntos em questão, o que está muito longe de ser a realidade do nosso país.

    3. Fim dos privilégios da classe política (reformas, imunidades, etc). Rigor nas incompatibilidades no exercício de cargos públicos e moldura penal agravada para os crimes cometidos no desempenho destas funções.
    -Não resolve nada, um governante não governa melhor sem regalias e imunidades, pelo contrário, assistiriamos a governos tímidos e fracos, a governantes indecisos e incapazes de adoptarem politicas impopulares ou polemicas.

    4. Transparência em todos os actos do Estado e acesso dos cidadãos a toda a documentação sobre contratos, receitas e despesas públicas.
    -Creio que basta ler o DR, tudo o que não está no DR é porque não tem a ver com o estado

    5. Acabar com as práticas públicas de favorecimento dos interesses privados que atravessam o Estado. Regulação efectiva das entidades financeiras (banca, seguradoras, etc), de forma a evitar a especulação dos mercados.
    -Acabar com favorecimentos é uma uUtopia, nunca foi conseguido, não basta fazer afirmações destas, é preciso mais.
    As entidades financeiras já são fortemente reguladas, infelizmente o regulador é totalmente incompetente. A unica forma de evitar a especulação é acabar com o mercado livre, o que se provou até à exaustão ser catastrófico.

  8. Fernando Castro Lopes diz:

    SAI PRÀ RUA
    Sinto vergonha e não tenho orgulho de viver em Portugal. Não tenho pejo em afirmá-lo, ainda que com dolência. Vem isto a propósito das recentes notícias da contratação dos enfermeiros a € 4,00/h, ou de como o Estado os contrata indiretamente beneficiando terceiros – que não prestam qualquer serviço -, resultando que a substância disto se resume assim: os enfermeiros, material e funcionalmente, são trabalhadores por conta de outrem, cumprindo horários fixos, respeitando hierarquias, etc. Formalmente, são trabalhadores independentes, tratados como tal quer perante o fisco quer na Segurança Social. Todos nós convivemos com isto e somos indiferentes, pactuando silenciosamente com aquilo que sabemos que está errado. Tem-nos faltado cidadania e solidariedade que deveria ter um reflexo de indignação pública com este e outros assuntos, e deveria começar, no caso em apreço, pelos enfermeiros – embora a parte mais fraca e receosa de perder o salário miserável que aufere mensalmente, recebendo à hora: não têm direito a férias (nem, obviamente, subsídio de férias, de Natal, mesmo antes das restrições), pagam eles as contribuições sociais (como se fossem empresários) e IRS e levam muitos deles para casa o equivalente ao salário mínimo. Qualquer pessoa que entre num hospital deveria perceber a responsabilidade destes profissionais, as qualificações exigidas produto de anos de árduo estudo e estágio (muitos deles entraram nas escolas públicas com médias superiores a 17 valores, com um investimento familiar posterior das famílias de muitos milhares de euros), para, no fim, ganharem menos do que uma empregada de limpeza. Parece que vivemos num Estado bastardo, engenhoso e não modelar. Como pedir aos portugueses que cumpram a lei, sejam idóneos, quando temos estes exemplos de engenharia laboral e fiscal? Quem deveria dar exemplos, não éticos, quando os de cima deveriam exercer funções quase em regime de missão e serviço ao país? Não é de agora, certamente: de há algumas gerações para cá, com políticos pífios, sem visão e patriotismo, operando empírica e utilitariamente, chegámos a um estado de coisas ou situação global concetualmente insustentável e socialmente reprovável. Depois, quando vemos as discriminações positivas, neste momento de grave crise e austeridade, que são a manutenção de regalias para alguns, com subsídios, viaturas do Estado, etc., revoltamo-nos intestinamente, sendo, ademais, Portugal um país pobre que desbarata os dinheiros públicos nestas mordomias (ainda que alguns economistas do nosso circo afirmem, segundo um padrão numerológico, que não têm grande peso ou expressão geral) sem que nenhum partido proponha objetivamente a eliminação radical das subvenções e regalismo, obstruções legais para a aquisição livre, por exemplo, de viaturas no Estado (é de bradar aos céus o parque automóvel de luxo de algumas autarquias, motoristas aqui e ali a despropósito para esta e aquela funçaozinha). Para não desviar-me, com esta ladainha que seria interminável, que orgulho sentir num hospital ou centro de saúde quando somos atendidos por enfermeiros que prestam o seu serviço condignamente em regime de trabalho de emergência psicológica com remunerações aviltantes (muitos trabalhando lado a lado com outros que foram contratados diretamente pelo Estado, com o dobro do salário)? Ora, ao contrário das empresas de limpeza – a esmo distribuídas pelos organismos do Estado -, em que as trabalhadoras são-no por contra de outrem, os enfermeiros não são sequer empregados dessas empresas que aparecem: passam-lhes os seus “recibos verdes”, como se lhes prestassem algum serviço, mas desenvolvem a sua atividade no sistema de saúde, com quem não mantém nenhuma relação jurídica de emprego. Com isto, o Estado mantém os enfermeiros acantonados, cativos, condicionados, na suposição expectante do potencial direito ao trabalho. Não é isto estranho – já que o Estado precisa deles -, pagar mais quando se poderia pagar menos, se pagassse diretamente aos interessados? Claro que surge, com o emprego ou contratação pública, uma questão de encargo social (com custos de potenciais reformas; contudo, há outras formas de contratação dignificantes, e, no limite, poderiam passara os recibos diretamente ao empregador), que o Estado evita, mas não deveria, já que estes profissionais (ao contrário de outros, administrativos, por exemplo, que podem prestar o seu trabalho em qualquer ministério do Estado ou empresa privada), tal como os médicos, os juízes, as forças de segurança, investigação e defesa fazem parte daquelas categorias cuja qualificação tem um único fim: servir e enquadrar.-se no sistema para o qual foram formados, devendo ser a saúde, a justiça, a educação, a defesa e segurança pilares essenciais e, no mais, funções exclusivas do Estado, sendo também a absorção destes profissionais um dever do Estado que os formou. Algo está mal a oeste: uma desonra terceiro-mundista para um país da união Europeia. Alguns políticos deveriam começar por emigrar, para darem exemplos, trabalharem recebendo ordens em contextos adversos, pois desta maneira talvez ganhassem alguma experiência e até dor para completarem uma adequada formatação. Ao que isto chegou. Que entidade bizarra é esta em estado de permanente necessidade, sem realizações continuadas visíveis e exteriorizáveis de que possamos sentir-nos orgulhosos? Parece, por vezes, clamar-se por um orgulho nacional qualquer não sentido verdadeiramente – com discursos de pedestais para consumo e embalamento e entorpecimento internos -, talvez situando a mira nalgum ponto da história particular, mas porventura tão distante, com um hiato tremendamente ingente que não chegará nunca para acudir-nos o estômago e alimentar-nos o ego. A tristeza e o desapontamento do país político para o cidadão comum é notório – ainda que todos, mesmo por omissão, estejamos imersos, mais remota ou indiretamente, ou mais proximamente nele. É com esta e com outras que devemos rebelar-nos, ostentar fúria, porque, no fim, é o cidadão vulgar que mais paga os erros sucessivos calamitosos dos políticos eternamente impunes (mesmo nas urnas, porque começou já há algum tempo a assaltar-nos a amnésia e indiferença branqueadora). Como seria útil aos médicos e enfermeiros concluírem as suas licenciaturas num único ano, mantendo intactas todas as competências necessárias ao desempenho das funções, estabelecendo de supetão um currículo que lhes granjeasse acesso direto ao emprego justo com salário adequado. Como os Xutos nos poderiam ajudar, exortando-nos: “ Só tu podes chegar a sentir Qual a boa solução, Mas uma coisa é mais que certa, Tens de tomar posição. Sai prà rua, sai prà rua, Tu, sai prà rua.”

    Não tarda, os juízes, os oficiais de justiça, os inspetores e agentes dos órgãos de polícia criminal, os militares e demais forças de segurança e defesa do estado passarão a emitir recibos verdes a empresas criadas para o efeito (não sendo, claro, empregados dessas empresas). E, do mesmo passo, os professores, contratando-se serviços de ensino. Proponho, pois, o seguinte, isto, sim, essencial: de futuro, não haverá nomeações políticas para as estruturas do Estado; todos os deputados e membros do executivo eleito, bem como os autarcas e demais funções na esfera do Estado ou atual função pública, volverão contratados como profissionais independentes ou empresários em nome individual, depois de devidamente coletados nas finanças e inscritos na Segurança Social (têm isenção de contribuição no primeiro ano). Para sermos mais indulgentes, aos políticos, até concederíamos que passassem diretamente os seus “recibos verdes” ao organismo do Estado onde prestam serviço, sem necessidade de intermediação por empresas. Embora, tal como a ARS já só contrata “serviços de enfermagem” e não enfermeiros (requintes modernos de retórica) , no futuro poderíamos passar a contratar serviços de politica, nunca os políticos diretamente. Aliás, poderemos abolir as eleições com partidos (fortemente nominais e pessoais, com lideranças) e os serviços de política poderão pacificamente ser contratatualizados mediante concurso público, ganhando a proposta económica e tecnicamente mais vantajosa, por ajuste direto, segundo os critérios definidos no CCP (Código do Contratos Púiblicos)

    Finalmente, o sindicato e Ordem dos Enfermeiros (esta de inscrição obrigatória) merecem um reparo e reprovação, porque nunca se preocuparam com estes associados nestas condições deploráveis: surgem, quase em bicos dos pés, quando vêm à tona estas noticias ou a espaços, botando faladura de apreensão inconsequente. Basta ver que o sindicato em 2010 recusou a proposta do governo (DGS) de aumento de 17,7 %, que daria um incremento de cerca de € 180,00 à remuneração de base de um enfermeiro; pretendiam fixar a remuneração de base em cerca de € 1.500,00 (eu até acho justa). Contudo, nem uma palavra junto da tutela (pelo menos visível e exteriorizada ou com impacto) sobre a abominação em que consiste este esquema dos enfermeiros de “recibos verdes” que ganham quase metade do que é remunerado aos seus colegas contratados diretamente pelos hospitais (para alguns, tornou-se útil conhecer alguém importante nos hospitais, pois são contratados não pelo currículo ou habilitações ou média final de curso). Ou seja, a tabela somente se aplica a estes, pois os dos recibos verdes não têm qualquer tabela. Porque – e seria ainda mau, pelo que se disse, mas menos mau – não contrata o Estado diretamente os enfermeiros a “recibos verdes?. Quando se diz que a ARS contrata serviços de enfermagem, então, uma vez que estes enfermeiros são coletados formalmente como prestadores de serviços de enfermagem, deveria contratá-los cara a cara; estariam no local certo. Ah, esquecia-me: o currículo dos enfermeiros, as suas habilitações, deixou de importar para os centros de saúde e hospitais públicos; apenas interessa o currículo das empresas contratadas. Não parece irónico, risível até?: o investimento pessoal, habilitacional, o mérito tornaram-se coisas vagas e desprezíveis.

    A muitos enfermeiros foi proposto por uma empresa ganhadora de concurso manterem o salário atual (ridículo) mas com mais uma a uma hora e meia de trabalho, informando-os que iriam deixar de trabalhar para a antiga empresa e que teriam de dar a resposta (se aceitavam) de um dia para o outro: seria pegar ou largar. Como se o direito ao trabalho precário fosse um brinde.

    Enfermeiro, sai prà rua. Enfurece-te. Indigna-te. Terás muitos portugueses do teu lado.

  9. Fernando Lopes diz:

    “SAI PRÀ RUA” – Onde ali se lê “Quem deveria dar exemplos, não éticos, quando os de cima deveriam exercer funções quase em regime de missão e serviço ao país?”, deveria ler-se “Quem deveria dar exemplos, comportar-se eticamente, exercendo funções quase em regime de missão e serviço ao país, porta-se às avessas.”. Escuso-me pelo lapso, por falta de revisão,

  10. Balburdio diz:

    A solução não e mais democracia, mas outra democracia. Outro regime, outra constituição e outra doutrina nacional. Ficávamos melhor com outro estado novo. Outro Salazar para por o pais na ordem, depois seria afastado e poderíamos regressar a uma democracia liberal.
    há milhares de anos faziam isto mesmo na Grécia, em tempos de dificuldades nomeavam um Tirano por um determinado prazo e com um determinado objectivo. Se fosse bem sucedido era afastado mas receberia um justo prémio. Se falhasse seria ostracizado e expulso do pais.
    Não e a democracia que salva aquilo que no fundo e um mal da democrático. E preciso uma ditadura para nos tirar deste sufoco. Depois voltamos a ser uma democracia, mas melhor que esta. Há que aprender com os erros.

    • lerolero diz:

      balburdio, pergunto-me quando será que a malta vai perceber que fazer a apologia da tirania, ou mandar uma pérolas como essas de precisarmos de um novo salazar não é só estúpido, mas perigoso.. meu caro, ninguém te pode negar o direito a ser pouco inteligente, mas dizer merdas dessas é atacar a liberdade dos outros.. escrevo estas palavras apenas como desabafo, pois sei que para ti não existe tal coisa como reflectir.. a verdade é que já há bastante tempo cheguei à triste conclusão de que há quem mereça a vida triste que tem.. como os bófias.. como tu.. a quem desejo exactamente o que têm…

  11. indignado 2 diz:

    Utopia, é acreditár que algum representante, representaria alguem antes de pensár em sí ou nos seus primeiro!
    A nossa Democracia consiste e limita-se a elegermos o “Ditador” que decide o que é melhor para ele e para os seus (uma minoria), á custa da maioria.
    O sitema eleitorál nacionál é o precesso de legitimár o poder dos previlegiádos!
    O País divide-se em povo Pagador e elites acumuladoras.

    A Democracia diréta, não é uma utopia, é praticada á mais de 100 anos na Suiça com sucesso, veja-se a taxa de desemprego Suiço e a media dos rendimentos minimos, que permitem viver de forma confortável.
    Está provado que as decisões do povo, mesmo contrariando as teorias economicas, demonstram com o tempo estár mais certas que todas as ideologias ou dotrinas economicas ou politicas, simplesmente o conhecimento de milhões de cerberos é mais certo do que 1000 estudos de 1000 professores universitários que produzem as suas teorias sob, e para as influência e interesses economicos.

    Quem se considera digno de um pensamento humano, tem de se donsiderár apto a decidir sobre a sua vida e em conjunto com todos os seus concidadãos decidir o seu destino e o seu futuro, emitindo a sua opinião de forma decisiva, votando directamente as propostas de lei, e não representantes que não fazem mais do que isso mesmo “Representár”.

    Se um cidadão comum, não tem a capacidade de decidir sobre assuntos de politica ou economia internacionáis, então é um absurdo e um insulto pedir para este escolher os seus representantes de entre os candidatos propostos, pois tambem para isso faltaria a compêtencia, assim como faltou a todos os membros do PS, a compêtencia ao elegerem Socrates (ler CV de Socrates) para seu secretário gerál e candidato a PM. Assim como faltou ao PSD a competência para escolher o seu candidato a PM. (ler o CV de Passos Coelho).

    Há que mudár o sistema, por ser injusto, estár conrrumpido, por não funcionár, há que mudá-lo o mais rapidamente de forma democrática dentro dos limites da lei.
    Qualquer sistema só pode ser considerádo democratico se for implantádo de forma democrática, perguntemos aos Portuguêses se estes querem a Democracia directa, se estes disserem que sim, existem organizações nomeádamente na Suiça que apoiam movimentos democratizantes gratuitamente por todo o mundo, se os eleitores disserem que preferem ser representados, então aceitemos a vontade da maioria, e entregemos Portugál á bicharada!
    Cada povo tem o governo que merece!
    O que merecemos, decidimos nós!

  12. Trabalhar para que se faça em Portugal o que a Islândia fez.
    Será possível?

  13. JR diz:

    Não li todos os comentários, mas concordo que é preciso criminalizar as pessoas envolvidas e reverter o processo das PPP, outra das situações é a situação do BPN e existem outras menos sonantes mas que somadas levam ao nosso descalabro actual.
    Com os cortes actuais aos trabalhadores e reformados/aposentados são pagos uma parte de juros, o que posso dizer que não amortizando capital, estamos a alimentar o grande capital.
    A generalidade dos Bancos compraram divida pública, ficaram descapitalizados, mas usufruem de juros elevadíssimos que todos nós temos de pagar e por outro lado emprestámos dinheiro nosso da Troika com juros baixos.
    A despesa no aparelho do Estado não diminuiu o que diminuiu foram os ordenados as pensões e um ou outro item que não os prejudica directamente.
    Força que é preciso mudar e não é de partido, a gula existe em todos, é preciso mudar a mentalidade das pessoas e que não olhem só para os umbigos e para a colocação dos amigos.
    Um Abraço.

  14. Alexandre Pereira diz:

    Infelizmente até em Associações (nomeadamente a Quercus – ANCN) existem défices de democracia promovidas pelas consecutivas direções nacionais, nomeadamente com a expulsão de várias pessoas (incluindo fundadores da própria Associação) colmatadas pela comunicação social e iludindo a opinião publica devido a uma constante publicidade televisiva e promiscuidade com empresas, além do tão aclamado e politicamente correto “relacionamento institucional” (índice de corrupção entre setores).
    Talvez seguindo o exemplo de presidentes da Câmara de Portel (Distrito de Évora), onde à custa de várias feiras anuais (Açordas, Montado, Sopas, Medieval, etc) o povo continua oprimido e nem se atreve a falar dos esgotos a céu aberto das aldeias de Santana e Oriola ou das licenças temporárias (ilegal à luz da Lei do REAI – que define a atividade industrial em Portugal) para fornos de alvenaria de produção do carvão vegetal (exemplo tipico de um País africano).
    Assim como várias irregularidades legais na área da Cinegética, tão flagrantes como não ser necessário apresentar no Diário da República uma sede física (morada) quando se regulamenta a criação de uma empresa turística de caça, sendo essencial na concretização de qualquer outra empresa a apresentação de uma morada com sede fixa, para além dos contatos. (vários exemplos de caça ilegal com a coninvência da PSP e elementos de várias Juntas de Freguesia e Cãmaras Municipais do Distrito de Portalegre, Évora e Beja).
    Assim como a industria das Touradas (sabiam que para além das touradas de morte legais em Barrancos, existem todos os anos em Monsaraz, nas festas da Paixão de Cristo em Setembro, embora estas sejam ilegais e nunca ninguem tenha pago sequer multas de 400 mil euros, como obriga a Lei nestes casos. Tudo isto acontece no Distrito do Évora!), que muitos defendem como cultura do povo, mas em 2011, apenas 20 familias/empresas agrícolas receberam 10 milhões de euros, enquanto a maior parte dos pequenos agricultores portugueses recebe reformas de 300 euros mensais, ou seja, 3600 euros anuais (muito menos que 500 mil euros para cada familia tauromaquica). – Tenho dados que o provam!
    Ainda bem que o professor Medina Carreira, finalmente faz o favor de se debruçar sobre o setor Agrícola, no Programa Olhos no Olhos, pois é um dos setores com mais economia paralela sendo também um dos mais apoiados pela PAC desde o inicio da Comunidade Europeia (tanto que até deixou de existir, tal a subsídio dependencia). Apesar da nova moda dos neo rurais, que é de valorizar, mas só se poderá valorizar se forem apresentados os falsos agricultores e a economia paralela que representam. O exemplo flagrante desta continuação exagerada dos subsídios sem controlo´é a ajuda do Governo em 70 % do custo da água, do “elefante branco” Alqueva, desde o inicio do Governo do Guterres até 2018, sendo depois todos os restantes portugueses a pagar a fatura (são 110 mil hectares de regadio, portanto façam as contas).
    Não se esqueçam que um agricultor com 100 hectares, recebe subsídios por cada hectare (RPU), por cada vaca aleitante, por cada ovelha de leite, pela cortiça e se por acaso semear, também o rendimento garantido da colheita ou do subsidio do governo por causa do tempo (isto se não for produtor de alguma grande superficie que lhe garanta ordenado fixo).
    Esta é a verdadeira indignação pois há factos verdadeiros que a suportam e só com factos verdadeiros e exemplos com nomes e casos concretos (sem medo) se podem manifestar a Indignação….Os Portugueses não devem ter medo de falar de casos concretos, sejam nomes, numeros ou instituições porque esse é o Verdadeiro 25 de Abril dos Cravos.
    Alexandre Pereira, cartão do cidadão numero 10874978 9zz9
    Não tenham medo de falar nomes e situações concretos, pois se as pessoas falarem sem medo, o poder judicial é pressionado a fazer justiça!

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